Macaco-prego e tubarao-martelo

Sexta-feira, Julho 08, 2005

Mesmo depois de muito tempo sem postar...

A média de visitas continua mais ou menos a mesma. Baixou um pouquinho, mas deu pra perceber que a maioria dos visitantes vem mesmo através dos mecanismos de busca.

To pensando em criar um novo blog, mas com um tema bem específico.

Rolando, aviso por aqui.

[]s
Reano
posted by Reano De Vitto, 2:24:00 PM | link | (1) comments

Sexta-feira, Fevereiro 11, 2005

Britânica é condenada por arrancar testículo de amante com a mão

LONDRES (Reuters) - Uma britânica foi condenada a dois anos e meio de prisão na quinta-feira por arrancar o testículo do ex-amante com as mãos durante uma briga, depois de ele se recusar a manter relações sexuais com ela.

Amanda Monti, 24, ficou furiosa em maio do ano passado quando Geoffrey Jones, 37, que tinha terminado o relacionamento entre os dois, rejeitou suas investidas amorosas.

Ela o agarrou pelos órgãos genitais, arrancando seu testículo esquerdo, e o escondeu na boca. Um amigo dele lhe devolveu o testículo depois, dizendo: "Isso é seu."

Monti assumiu a culpa por danos corporais numa audiência anterior. O advogado dela disse que sua cliente tinha poucas lembranças da noite em questão.
posted by Reano De Vitto, 10:23:00 AM | link | (0) comments

Quinta-feira, Fevereiro 10, 2005

Mulher "ressuscita" depois de passar 18 horas em câmara frigorífica



LIBREVILLE, 9 fev (AFP) - Uma gabonense de 52 anos "voltou à vida" no necrotério de Kula-Mutou (400 km a sudeste de Libreville), depois de passar 18 horas numa câmara frigorífica, informou nesta quarta-feira o jornal oficial L'Union.

Dame Agnès Mbenga 'faleceu' nas primeiras horas da noite de 1º de fevereiro e parentes que constataram a sua morte levaram o corpo ao necrotério por volta da meia-noite, enquanto organizavam o enterro, informou o jornal.

Por volta das 18h00 locais do dia seguinte, quando foram buscar o corpo, "constataram que a falecida tinha mudado de posição. Agnès Mbenga estava encolhida e tremia no fundo do caixão", prosseguiu o L'Union.

A "ressuscitada", segundo o jornal, foi hospitalizada com "hipotermia bastante importante" antes de voltar para casa, dias depois.

"Neste caso há os que garantem sem pestanejar que foi um milagre. Outros, que se dizem mais racionais, preferem a tese de uma seqüência feliz de circunstâncias", destacou o periódico.

"Seria aconselhável que um médico examinasse o corpo antes de sua admissão no necrotério", destacou o diretor do hospital entrevistado pelo jornal.

Para Dame Mbenga, "uma cristã convicta", não há dúvidas de que foi um milagre. "Se não fosse por Ele, não estaria mais neste mundo. O Senhor é maravilhoso", declarou ao jornal.
posted by Reano De Vitto, 10:25:00 AM | link | (0) comments

Quinta-feira, Fevereiro 03, 2005

Slow Attitude



Já faz 18 anos que estou aqui na Volvo, uma empresa sueca. Trabalhar com eles é uma convivência, no mínimo, interessante. Qualquer projeto aqui demora dois anos para se concretizar, mesmo que a idéia seja brilhante e simples. É regra. Então, nos processos globais, causa em nós aflitos por resultados imediatos (brasileiros, americanos, australianos, asiáticos) uma ansiedade generalizada, porém, nosso senso de urgência não surte qualquer efeito neste prazo.

Os suecos discutem, discutem, fazem "n" reuniões, ponderações... E trabalham num esquema bem mais "slow down." O pior é constatar que, no final, acaba sempre dando certo no tempo deles com a maturidade da tecnologia e da necessidade: bem pouco se perde aqui...

E vejo assim:

1. O pais é do tamanho de São Paulo;
2. O pais tem 2 milhões de habitantes;
3. Sua maior cidade, Estocolmo, tem 500.000 habitantes (compare com Curitiba que somos 2 milhões);
4. Empresas de capital sueco: Volvo, Scania, Ericsson, Electrolux, ABB, Nokia, Nobel Biocare,... Nada mal, não? Pra ter uma idéia, a Volvo fabrica os motores propulsores para os foguetes da NASA.

Digo para os demais nestes nossos grupos globais: os suecos podem estar errados, mas são eles que pagam nossos salários. Entretanto, vale salientar que não conheço um povo, como povo mesmo, que tenha mais cultura coletiva do que eles... Vou contar para vocês uma breve só pra dar noção...

A primeira vez que fui para lá, em 90, um dos colegas suecos me pegava no hotel toda manhã. Era setembro, frio leve e nevasca. Chegávamos cedo na Volvo e ele estacionava o carro bem longe da porta de entrada (são 2000 funcionários de carro). No primeiro dia não disse nada, no segundo, no terceiro... Depois, com um pouco mais de intimidade, numa manha perguntei: "Vcs tem lugar demarcado para estacionar aqui? Notei que chegamos cedo, o estacionamento vazio e vc deixa o carro lá no final..." e ele me respondeu simples assim: "é que chegamos cedo, então temos tempo de caminhar - quem chegar mais tarde já vai estar atrasado, melhor que fique mais perto da porta. Vc não acha?" Olha a minha cara! Ainda bem que tive esta na primeira... Deu pra rever bastante os meus conceitos.

Há um grande movimento na Europa hoje, chamado Slow Food. A Slow Food International Association - cujo símbolo é um caracol - tem sua base na Itália (o site é muito interessante. Veja-o). O que o movimento Slow Food prega é que as pessoas devem comer e beber devagar, saboreando os alimentos, "curtindo" seu preparo, no convívio com a família, com amigos, sem pressa e com qualidade. A idéia é a de se contrapor ao espírito do Fast Food e o que ele representa como estilo de vida. A surpresa, porém, é que esse movimento do Slow Food está servindo de base para um movimento mais amplo chamado Slow Europe como salientou a revista Business Week em sua última edição européia.

A base de tudo está no questionamento da "pressa" e da "loucura" gerada pela globalização, pelo apelo à "quantidade do ter" em contraposição à qualidade de vida ou à "qualidade do ser". Segundo a Business Week, os trabalhadores franceses, embora trabalhem menos horas, (35 horas/ semana) são mais produtivos que seus colegas americanos ou ingleses.

E os alemães, que em muitas empresas instituíram uma semana de 28,8 horas de trabalho, viram sua produtividade crescer nada menos que 20%. Essa chamada "slow attitude" está chamando a atenção até dos americanos, apologistas do "Fast" (rápido) e do "Do it Now" (faça já).

Portanto, essa "atitude sem-pressa" não significa fazer menos, nem menor produtividade. Significa, sim, fazer as coisas e trabalhar com mais "qualidade" e "produtividade" com maior perfeição, atenção aos detalhes e com menos "stress". Significa retomar os valores da família, dos amigos, do tempo livre, do lazer e das pequenas comunidades. Do "local", presente e concreto, em contraposição ao "global" - indefinido e anônimo. Significa a retomada dos valores essenciais do ser humano, dos pequenos prazeres do cotidiano, da simplicidade de viver e conviver e até da religião e da fé. Significa um ambiente de trabalho menos coercitivo, mais alegre, mais "leve" e, portanto, mais produtivo, onde seres humanos felizes fazem, com prazer, o que sabem fazer de melhor.

Nesta semana, pense um pouco sobre isso. Será que os velhos ditados "Devagar se vai ao longe" ou ainda "A pressa é inimiga da perfeição" não merecem novamente nossa atenção nestes tempos de desenfreada loucura? Será que nossas empresas não deveriam também pensar em programas sérios de "qualidade sem-pressa" até para aumentar a produtividade e qualidade de nossos produtos e serviços sem a necessária perda da "qualidade do ser"?

No filme "Perfume de Mulher", há uma cena inesquecível, em que um personagem cego (vivido por Al Pacino) tira uma moça para dançar e ela responde:

- "Não posso, porque meu noivo vai chegar em poucos minutos."
- "Mas em um momento se vive uma vida" - responde ele, conduzindo-a num passo de tango.

E esta pequena cena é o momento mais bonito do filme. Algumas pessoas vivem correndo atrás do tempo, mas parece que só alcançam quando morrem enfartados, ou algo assim.

Para outros, o tempo demora a passar; ficam ansiosos com o futuro e se esquecem de viver o presente, que é o único tempo que existe. Tempo todo mundo tem por igual. Ninguém tem mais nem menos que 24 horas por dia. A diferença é o que cada um faz do seu tempo. Precisamos saber aproveitar cada momento, porque, como disse John Lennon... "A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro".
posted by Reano De Vitto, 9:53:00 AM | link | (2) comments

Quarta-feira, Fevereiro 02, 2005

Mea-culpa


Muitos juízes erram quando apitam jogos de futebol. Poucos vêem a público reconhecer suas imperfeições. Mas apenas um determinou uma autopunição por enganos cometidos.

Trata-se de Andy Wain, que atua nas divisões amadoras da Inglaterra. Na última semana, ele comandava um jogo entre Peterborough North End e Royal Mail, quando, no meio do segundo tempo, ficou irritado com as reclamações de um goleiro. Decidiu reagir.

Colérico, jogou o apito no chão e foi tirar satisfações com o jogador do Peterborough.

Passado o momento de raiva, percebeu que sua atitude não havia sido a mais correta. Aí veio a inusitada decisão: Wain expulsou a si mesmo do duelo.

- Não fui profissional. Se um atleta tivesse feito isso, eu o expulsaria. Fiz o mesmo comigo.
posted by Reano De Vitto, 10:43:00 AM | link | (0) comments

Sexta-feira, Janeiro 28, 2005

Novo club em SP



Às sextas rola rock e aos sábados house e tech-house.

Confira a programação confirmada:

Programação Festa Glitter:
Dia 28/1 - Luis Depeche
Dia 04/2 - Rico Schmidt (Freeshop)
Dia 11/2 - DJ Lava (direto de Amsterdam)
Dia 18/2 - Eneas Neto (Bionica)
Dia 25/2 - Magal

Residentes: Zeezo, Alisson Gothz


Programação Festa Dust!freeshop:
Dia 05/2 - Vladi
Dia 12/2 - Reano DeVitto
Dia 19/2 - Maurício Lopes (RJ - Smartbiz)
Dia 26/2 - Carbon 23

Residentes: Rico Schmidt e Rony Heller

Saiba mais: Dust!club
posted by Reano De Vitto, 11:10:00 AM | link | (0) comments

Sexta-feira, Janeiro 21, 2005

A amnésia que precede a noite

Li este texto e adorei. Ele não tinha um título, por isso resolvi batizá-lo de

A Passagem


Foram séculos ou só se passaram alguns dias?

Pupilas dilatadas e lágrimas não combinam. O sol desaparecera há tanto tempo. Bem antes da voz se calar. O tempo deixara de fazer sentido aparentemente. Ou minha mente perdera a capacidade de contar as horas, ainda que de maneira supérflua. Não entendo porque a claridade havia deixado de penetrar por entre as folhas. Tudo parecia escuro, o mundo todo esmaecido em sombras. Demorei a perceber, era noite enfim.

Meus olhos fechados outra vez e ainda vejo a cidade iluminada pelo suave tom azulado da lua nova. Tudo na minha mente. São apenas imagens distorcidas agora. Com o tempo irão se apagar também, assim como foram se diluindo todos os rostos que conheci. Às vezes me vinham lembranças durante o sono e quando despertava buscava prendê-las em algum lugar da memória, mantê-las vivas e perenes. Mas acabavam por desaparecer também, devagar, primeiro misturando-se a outras imagens, fundiam-se sorrisos e olhares, formavam por fim um rosto estranho que se dissolvia em brumas cinzentas.

A casa estava escura, eu adormecera e a tarde havia deixado a noite invadir silenciosamente. Fiquei deitada por mais um instante, juntando os fragmentos do sonho recente, as imagens se decompondo rapidamente, nada a não ser a certeza de que havia pessoas e risos. Nenhum sonho pode ser real, ou a realidade se mistura tanto que se repete fragmentada enquanto dormimos. Tudo louco e desconexo, sublime e insano. Nada se compara à inexatidão da realidade, feliz despertar. Os sonhos me confundem ainda mais, tornam minhas lembranças imperfeitas e inexplicáveis. Os sonhos me dispersam.

Minhas lembranças mais antigas só alcançavam o meio da tarde, as nuvens se emaranhando no azul celeste, a brisa que fazia balançar as franjas da rede, as flores do canteiro em desordem. Já não me era possível recordar da manhã toda, do que havia eu feito dela, por onde havia andado, ou se apenas teria ficado deitada como tantas outras vezes. Não era possível lembrar obviamente quando comecei a esquecer. Mas eu sabia que minha falta de memória poderia ser considerada um milagre se analisada minuciosamente pelo Vaticano. Porque sei dentro de mim que durante muito tempo pedi a Deus para esquecer, para apagar todos os vestígios de memória. E aconteceu. Não consigo recordar quase nada.

Devia ter formulado melhor meu desejo, mas agora é tarde para um pedido de reparação. O tempo já levava tudo de meu, restava apenas uma alma obtusa dentro desse corpo velho. Uma alma triste e meio perdida em divagações inconseqüentes.
Não reconheço meu rosto no espelho, meus cabelos acinzentados e sempre emaranhados nesse coque enfadonho, meus lábios com sulcos que o puxam para baixo impondo-me um aspecto sempre triste. Não reconheço a enfermeira gorda que vem todos os dias, a mesma que encaro durante horas na esperança de recepcioná-la sem espanto no dia seguinte. Conheço de cor apenas meu gato, gordo e cinza, que se enrola e dorme sobre a almofada amarela, que passa inúmeras vezes por entre minhas pernas reivindicando leite e atum. Esse último é meu parceiro de idiotices, já que não se incomoda em passar horas de contemplatividade ao meu lado.

Não tive filhos, ora não tenho netos. Sou única filha. Portanto, estou só. Estou à espera, minhas malas feitas há tempo. Sempre acho que será hoje o dia, e então o dia seguinte vira hoje e nada acontece outra vez. Mas sei que está próxima, não quero ser pega de surpresa ou desprevenida. Mantenho-me sempre limpa, com um bom vestido, alimentada, unhas aparadas, coque feito, batom. Um batom que tenta dar a minha boca um pouco de sorriso.

A casa está escura. Imagino que Maria ou qualquer que seja seu nome tenha adormecido com o silêncio. Imagino que poderia permanecer aqui nessa rede, a noite está quente. Mas abro meus olhos e deparo-me com eu mesma no deitada na rede imóvel. O vestido simples com flores miúdas, meus braços estendidos ao longo do meu corpo, as pernas pendendo para fora, uma para cada lado, dando-me um aspecto idiota. O batom ainda lá, parecia destoar um pouco agora com a palidez do meu rosto. Finalmente. Saí daquele corpo. Estou agora livre e posso voar pelos campos que sempre amei. Não senti pena do meu corpo sem vida à espera de ser encontrado. Não havia quem chorar por ele. Senti que as lembranças estavam sendo devolvidas, pessoas que amei, meus amigos, marido, parentes. Deixei a casa e invadi a noite, juntei-me a ela. Eu agora sou a noite.
posted by Reano De Vitto, 1:07:00 PM | link | (0) comments